Ultimamente tenho sentido coisas que já não lembrava. Por instantes, em certos dias, sinto que voltei atrás no tempo em mim, apesar do tempo que passou. E se por um lado me assusta o tempo que passou, conforta-me reparar que houve partes de mim que, ainda que adormecidas, não se foram. É bom sentir-me jovem mas é mau constatar que tenho 30. É bom saber que ainda tenho a frescura de espírito para aceitar certas coisas mas detesto ver que não tenho paciência para outras.
Estou a crescer, a adaptar-me... Mas nesta sucessão de conquistas e perdas é difícil manter os olhos na bola. O jovem que se torna homem deve abandonar partes de si, e completar-se com novos sonhos e desafios. Crescer é isso, viver é isso. Deixar para trás o que foi, seguindo em frente e apanhando novos pedaços de vida. Eliminar o que está a mais, o que está gasto mesmo sendo positivo e saber agarrar as pequenas dicas da vida, transformando-as em algo concreto e sólido. Manter o organismo completo e funcional. No ritmo certo.
Triste metáfora a minha. A vida é uma máquina imperfeita.
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